Texto: Galhardo Vaz Negro
Foi oficialmente lançado, no dia 19 de Março, o projecto SEED – Girls with Voice. Futures with Choice, uma iniciativa liderada pela activista e jornalista Sheila Wilson, com o objectivo de combater as uniões prematuras e promover o empoderamento de raparigas e jovens mulheres em Moçambique.
O evento de lançamento contou com a presença de Sua Excelência a Embaixadora do Reino dos Países Baixos, Elsbeth Akkerman, do Provedor de Justiça, Isac Chande, de representantes do Ministério do Género e do Ministério da Educação, bem como de membros do corpo diplomático, da União Europeia, de organizações da sociedade civil e de parceiros de cooperação.
A iniciativa surge no âmbito do Tulip Award 2025, distinção atribuída à Sheila Wilson pela Embaixada do Reino dos Países Baixos, em reconhecimento do seu trabalho na promoção dos direitos humanos e da igualdade de género. O lançamento decorreu igualmente no contexto das celebrações do Mês Internacional da Mulher, reforçando o simbolismo e a relevância social da ocasião.
Segundo a activista, a criação do projecto resulta da necessidade urgente de enfrentar uma realidade que continua a comprometer o futuro de milhares de raparigas moçambicanas. “O Projecto SEED nasceu da convicção de que nenhuma rapariga deve ter o seu futuro decidido por imposição, medo ou silêncio. Queremos que elas tenham voz, escolha e oportunidade de construir o seu próprio caminho”, afirmou.
O projecto SEED pretende fortalecer o diálogo entre instituições públicas, sociedade civil e parceiros de desenvolvimento comprometidos com a promoção dos direitos das raparigas e com a eliminação das uniões prematuras em Moçambique. A iniciativa visa ainda criar espaço para a partilha de visões, experiências e áreas de intervenção ligadas à protecção, educação e empoderamento das raparigas.
No que diz respeito à implementação, Wilson explicou que a iniciativa apostará no trabalho de proximidade com comunidades vulneráveis, através de acções de sensibilização, educação cívica e mobilização social. “Não basta denunciar o problema; é preciso trabalhar com as famílias, líderes comunitários, escolas e próprias raparigas, para transformar mentalidades e criar redes de protecção”, sublinhou.
Para além disso, o projecto procura consolidar uma cultura de responsabilização social, incentivar o envolvimento das comunidades na protecção das crianças e contribuir para que as raparigas tenham maior acesso à informação, a oportunidades e à capacidade de decisão sobre o seu próprio futuro.
A responsável acrescentou ainda que o sucesso do projecto será medido não apenas pela adesão institucional, mas sobretudo pelas mudanças na vida das beneficiárias. “O nosso maior indicador de sucesso será ver mais raparigas a permanecer na escola, mais famílias a rejeitar uniões prematuras e mais comunidades comprometidas com a defesa dos direitos da criança”, destacou.
Com uma visão voltada para o médio prazo, espera-se que, nos próximos dois a três anos, o projecto contribua para o fortalecimento da consciência comunitária, redução de casos de uniões prematuras e surgimento de mais raparigas informadas, protegidas e capacitadas para decidir sobre o seu próprio destino. A activista defende igualmente uma actuação articulada entre o Governo, a sociedade civil e as comunidades locais, considerando esse envolvimento essencial para garantir impacto duradouro.
Num país onde as uniões prematuras continuam a representar um obstáculo ao pleno desenvolvimento das raparigas, o Projecto SEED afirma-se como uma resposta sólida e urgente, reforçando o compromisso colectivo com a dignidade, a protecção e os direitos da criança.