Texto: Benjamim Cristiano
Decorreu, no dia 30 de Abril, em Maputo, a terceira edição do workshop Mulheres na Comunicação, Marketing e Relações Públicas (COMARP) 2026, subordinado ao tema “Quebrando barreiras, criando legado”. O evento teve lugar no Hotel Polana e reuniu mulheres que moldam o ecossistema da comunicação no país.
Com o objectivo de reflectir sobre o papel transformador da mulher no sector da comunicação, o seu impacto nas organizações e na sociedade, o encontroreuniu diversas personalidades, incluindo representantes e directores de gabinetes de comunicação de empresas e agências.
Intervindo na ocasião, o fundador da iniciativa, Edson Rufai, referiu que o workshop constitui um espaço onde todos contribuem para dar voz e visibilidade às mulheres no sector. Segundo destacou, apesar da crescente participação feminina no mercado de trabalho, as mulheres continuam em número inferior em relação aos homens.
“Nos últimos anos, centenas de mulheres ingressaram no mercado laboral, demonstrando capacidade, resiliência e um forte contributo para o desenvolvimento económico e social do país. No entanto, persistem desafios estruturantes. A participação feminina continua inferior à dos homens, e as mulheres ainda enfrentam dificuldades no acesso a posições de liderança e tomada de decisão”, afirmou.
Rufai acrescentou que o desenvolvimento sustentável do sector depende da capacidade de homens e mulheres trabalharem em conjunto, valorizando competências, perspectivas e contributos diversos.
A sessão de debate, moderada por Elsie Pereira, contou com quatro oradores: Soraia Abdula (Gestora de Comunicação no Porto de Maputo), Dayse Correia (Directora de Marketing e Marca no Standard Bank), Lais Pereira (Directora Nacional de Marketing na Coca-Cola) e Arsénio Panze (Director de Marketing e Comercial do Banco Sólido).

Ao abordar as barreiras enfrentadas pelas mulheres num sector tradicionalmente dominado por homens, Dayse Correia destacou que a maternidade continua a ser uma barreira invisível.
“Por ser mulher, a maternidade já é vista como um obstáculo, pois há a percepção de que a mulher estará ausente do trabalho após o parto”, explicou, acrescentando que, em contextos onde a boa relação com o ‘chefe’ é mal interpretada, “a mulher deve demonstrar a sua capacidade com base em dados e resultados”.
Por sua vez, Soraia Abdula abordou o impacto da liderança feminina na forma como as marcas comunicam hoje, defendendo uma abordagem mais inclusiva. “O essencial é não considerar aspectos femininos na comunicação. Toda a liderança feminina passou a ser considerada liderança humana”.
Lais Pereira desafiou as profissionais de Marketing a desenvolverem uma visão mais ampla do negócio e desenharem estratégias, incluindo áreas como preço, disponibilidade e execução.
“Para influenciarmos a narrativa de uma marca, devemos também influenciar preço, disponibilidade e execução”, afirmou.
A única voz masculina no painel, Arsénio Panze, apelou à prática de uma escuta activa por parte dos homens e à valorização das mulheres como parceiras no desenvolvimento das organizações e do país.
“Devemos promover o tratamento igual entre homens e mulheres para garantir ambientes saudáveis dentro das organizações”, defendeu.
Um dos momentos altos do evento foi a atribuição de prémios às 30 mulheres mais influentes na COMARP, distinguindo profissionais que se destacaram entre abril de 2025 e abril de 2026.
O evento contou com a presença de instituições como a Associação Moçambicana de Comunicação e Marketing (ACM), a Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE) e a ONU Mulheres.