Texto: Marlene Mboene
Foi lançada, no 25 de Abril, a segunda edição do Vocaliza – um programa de treino de autoridade comunicacional voltado para mulheres no mercado corporativo e empresarial.
O evento, subordinado ao tema “A comunicação como ferramenta de liderança”, reuniu profissionais de comunicação, líderes executivos e outros interessados nas áreas de comunicação e liderança. Dirigido por Natércia Sitoe, o encontro contou com dois painéis ricos em conteúdo, separados por um momento de networking entre os participantes.
O discurso de abertura foi proferido por Belarmina Nuvunga, CEO e fundadora do programa, que enalteceu o papel da mulher no ecossistema profissional. Destacou que, mais do que uma palestra, o evento constitui uma oportunidade de diálogo entre mulheres que já apresentam resultados, mas que ainda carecem de ferramentas para comunicar com autoridade esses mesmos resultados.
Ainda na sequência dos discursos, interveio Mara Cancuna, presidente da Associação Nacional dos Jovens Empresários (ANJE), parceira do programa. Na sua intervenção, sublinhou que, muitas vezes, o que falta não é capacidade, mas sim espaço, escuta e domínio, alertando que “o mundo não recompensa quem sabe, recompensa quem consegue mostrar que sabe”.
Por sua vez, Auro Nhalivilo, representante da Olygran, também parceira do projecto, afirmou que: “quando uma mulher encontra a sua voz, ela não transforma apenas a sua carreira, mas também a sua equipa e toda a sociedade”.
Painel I
O primeiro painel, moderado por Belarmina Nuvunga, abordou a liderança em contexto executivo sob o tema “Liderar com presença, clareza e coragem num mercado em transformação”. Contou com as intervenções de Tatiana Guivala (Chefe de Auditoria Interna do Standard Bank), Alice Parsonato (Directora de Integração de Negócios, Estratégia e Transformação do Standard Bank), Januário Valente (Membro da Administração Executiva do Standard Bank) e Sansão Conjo (Head of Banking do Standard Bank).
Durante o debate, Tatiana Guivala defendeu a necessidade de “ser humilde para aprender”, apontando a resiliência, a intenção e a coragem como pilares fundamentais nesse processo. Na mesma linha, Alice Parsonato destacou a importância da curiosidade contínua e da constante formação em diferentes áreas. Incentivou ainda o uso de ferramentas e metodologias de comunicação, combinando “tónica, tom e timing” para fortalecer a comunicação corporativa.

“Não temos uma segunda oportunidade para deixar uma primeira boa impressão”, afirmou Januário Valente, acrescentando que um líder deve saber medir o impacto das suas intervenções, evidenciando a importância do posicionamento na liderança.
Por seu turno, Sansão Conjo salientou que liderar não é sobre quem fala mais alto, mas sobre posicionamento. Apontou ainda a falta de preparo e a comunicação sem objectivos claros como erros frequentes cometidos por líderes.
Painel II
O segundo painel, moderado por Celso Domingos (Consultor de Media e Marketing e Apresentador de Televisão), abordou o tema “A comunicação que te dá voz, reputação e liderança”.
O painel contou com as intervenções de Dayse Correia (Membro do Comité Executivo e Head of Brand e Marketing do Standard Bank), Stélia Neta (PhD e Directora do Gabinete de Comunicação e Relações Institucionais da EDM) e Felícia Nhama (Coordenadora de Comunicação Corporativa e Responsabilidade Social da Tmcel), que destacaram, respectivamente, a importância do talento, do trabalho e da prática constante no percurso profissional.
Na perspectiva de Dayse Correia, “a competência abre portas, mas a comunicação mantém-nas”. Defendeu que não basta trabalhar arduamente, é igualmente importante alinhar as actividades profissionais com aquilo de que se gosta, transformando habilidades e paixões em fontes de rendimento.
Já Stélia Neta sublinhou que uma carreira sólida deve basear-se em trabalho árduo, inovação e, sobretudo, paixão pelo que se faz. Por sua vez, Felícia Nhama enfatizou a importância da prática e da capacidade de adaptação a diferentes contextos profissionais.
Os discursos marcaram o início de uma nova jornada para os presentes e, de forma especial, para as participantes do programa, designadas “Vocalizas”. A primeira edição do programa decorreu em 2025 e formou 25 mentoradas. Já a presente edição registou um crescimento significativo, com a participação de 44 formandas.
A anfitriã do evento, Belarmina Nuvunga, encerrou a sessão recordando que o Vocaliza foi criado para responder a uma dor: muitos profissionais são competentes, mas ainda não dominam a comunicação assertiva. Reafirmou, igualmente, o compromisso de continuar a apoiar profissionais na prossecução deste objectivo.