Por: Paulo Manjate
No âmbito do Mês da Mulher Moçambicana, a EMOSE concebeu um evento interno dirigido para as “emoseanas”, as mulheres colaboradoras da empresa, reforçando o seu compromisso com a valorização e o reconhecimento do papel feminino na organização.
Sob o lema “Mulheres que seguram”, o encontro reuniu quase 100 mulheres nas instalações da Sala de Assembleias da EMOSE. Participaram colaboradoras da EMOSE e mulheres do IGEPE, tendo como oradora principal a Presidente do Conselho de Administração do Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), Ana Coanai.
O evento foi marcado por uma afirmação que ecoou por toda a sala, “A EMOSE SA é privilegiada por ser constituída também pela mulher que é forte, destemida e disposta a contribuir significativamente, dia após dia, pelo único propósito que temos firmado, o de assegurar pessoas e bens por todo o país.”
“As mulheres não se apoiam“, alerta Ana Coanai
Convidada a marcar presença nas celebrações do Mês da Mulher Moçambicana promovidas pela EMOSE, Ana Coanai iniciou a sua intervenção abordando a vertente técnica e a experiência de ocupar um cargo de chefia como PCA.
Num discurso directo, a líder alertou para um dos maiores desafios que ainda trava o progresso feminino: a falta de apoio entre mulheres.
“As mulheres não se apoiam. A sociedade vai tentar mostrar que não somos capazes. Quando uma mulher chega a um cargo de chefia, surgem sempre questões sobre a sua capacidade“, afirmou.
A PCA do IGEPE acrescentou que, muitas vezes, as próprias mulheres se distraem com comentários externos.
“Ouvimos coisas como ‘é porque é bonita’. E nós mesmas nos concentramos apenas na nossa beleza e esquecemos de colocar em prática as ideias que temos em mente. Temos que mudar a forma de pensar e apoiar-nos umas às outras.”
Rede de apoio: uma construção essencial
Um dos pontos mais destacados por Ana Coanai foi a importância da rede de apoio entre mulheres.
“Precisamos de um grupo de amigas que estejam sempre ali para nos redireccionar. Passamos mais tempo no trabalho do que em casa, por isso há necessidade de materializar essa rede de apoio no trabalho“, defendeu.
Autodenominando-se uma “Dama de Ferro”, a PCA do IGEPE partilhou a sua experiência pessoal
“Tive que me impor para ser respeitada. Tive que aprender a adaptar-me e a ser respeitada como líder.” E explicou que liderar não se limita às questões da empresa: “Quando uma mulher é líder, ela também se envolve nas questões sociais da sua equipa.”
O papel da mulher na construção do futuro
O evento reforçou o espírito do Mês da Mulher Moçambicana. As participantes afirmaram que as mulheres devem manter-se fortes e prestar mais atenção às suas casas, apesar da dupla jornada de trabalho.
“Nós, como mulheres, temos que nos manter fortes. Devemos prestar mais atenção às nossas casas, mesmo sendo trabalhadoras”, reflectiram as “emoseanas”.
O momento mais emotivo do encontro ficou marcado pela reflexão sobre o papel da mulher na formação das próximas gerações.
“Como mulheres e futuras mães, temos a responsabilidade de formar o homem do futuro, não violento e filhas respeitosas e fortes. É só assim que podemos garantir o futuro dos nossos filhos e de uma sociedade melhor.”
As participantes deixaram ainda um apelo directo: “somos capazes de contrapor. Não tenham vergonha de comentar. Temos que ser mulheres inteligentes e informadas.”
O espírito do encontro ficou resumido numa frase que ecoou durante toda a cerimónia: “Ela cuida de todos. Nós cuidamos dela.”