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Alima Hussein: Educação como base na construção de qualquer sociedade

Texto: Marlene Mboene

Desde criança, ela sempre viu na educação uma grande oportunidade para transformar o mundo. O seu maior sonho era estudar para poder abrir caminhos para outras mulheres do seu distrito, da sua província, do país e, sendo um pouco mais ambiciosa, por que não, do mundo? Foi com essa visão que cresceu e se tornou, hoje, uma grande referência em matérias de empoderamento feminino e empreendedorismo.

‎Trata-se de Alima Hussein Sauji, empresária e activista social profundamente apaixonada pelo empoderamento económico e social das mulheres. Dessa paixão nasceram o Podcast Para Elas e a AISEM – Associação de Inclusão Social e Económica da Mulher. É também Presidente do Pelouro das Mulheres, Jovens Empresários, PME’s e Empreendedorismo, além de actuar na área de comunicação corporativa.

‎É natural da província de Manica, no distrito de Barué, vila de Catandica, onde viveu até aos cinco anos de idade. Posteriormente, foi obrigada, juntamente com a sua família, a deslocar-se para Chimoio, devido à guerra civil. Apesar de já não residir na sua terra natal, mantém uma forte ligação ao seu distrito de origem.

‎Iniciou o seu percurso académico em Cantandica, numa pré-escola precária, como era comum naquela época. Não dispondo de salas convencionais, estudava debaixo de uma árvore, actualmente conhecidas como “salas sombra”, onde cada aluno tinha de levar um pequeno banco todos os dias para se sentar. Devido à guerra, teve de prosseguir os seus estudos em Chimoio, onde concluiu o nível médio.

‎Nenhum destes desafios foi um impedimento para a realização do seu sonho de infância: estudar. ‎”Sempre acreditei que a educação, não apenas académica, mas também humana e social, é a base para a construção de qualquer sociedade justa e inclusiva”, declarou.

Após concluir o ensino secundário, mudou-se para Zimbabué, onde se formou em Gestão e Administração de Empresas pela Africa University. Adicionalmente, possui certificações em Liderança e em Metodologia de Reporte de Barreiras não Tarifárias.

‎Em reconhecimento ao seu contributo social, tanto a nível nacional como internacional, foi recentemente distinguida entre as Top 100 Mulheres Inspiradoras nos PALOP, pela Womenice. Um dos projectos que a tornaram referência é o Podcast Para Elas, que surgiu há cerca de quatro anos, num gesto de inclusão e solidariedade para com as mulheres silenciadas. O seu propósito era criar um espaço onde essas histórias pudessem ser partilhadas e servir de inspiração para outras mulheres e raparigas, “algo que eu própria senti falta durante a minha infância”, afirmou.

‎Hoje, orgulhosa do impacto do seu trabalho, porque o Podcast Para Elas se tornou uma importante fonte de informação e inspiração, trazendo referências femininas para mulheres e jovens, confessa: “quando comecei o projecto, não imaginava que teria um impacto tão grande. Sinto-me muito feliz por saber que o podcast tem contribuído positivamente para tantas mulheres”.

Para além do podcast, também fundou a Associação de Inclusão Social e Económica da Mulher (AISEM), uma organização que desenvolve projectos e iniciativas com o objectivo de promover o empoderamento social e económico das mulheres.

Com cerca de 20 anos de carreira profissional, destaca-se igualmente na área empresarial. Afirma: “sempre gostei de gestão e de negócios”, pois, desde muito cedo, ela e os seus irmãos foram expostos ao mundo dos negócios, desenvolvendo uma veia empreendedora muito forte. Actualmente, possui um dos maiores estúdios de gravação de conteúdo audiovisual e, juntamente com a sua equipa, coordena eventos corporativos e fornece material para merchandising e brindes corporativos.

Ao longo da carreira, viveu diversas experiências marcantes. Um dos momentos mais significativos foi em Julho de 2005, quando, dois meses após ter concluído a sua formação, assinou o seu primeiro contrato como assistente estagiária na CTA, com duração de seis meses. Embora fosse um estágio, considera: “foi uma grande alegria e uma oportunidade que abracei com muita dedicação”. Suas responsabilidades incluíam apoiar os pelouros, organizar reuniões, cuidar da logística e fazer sínteses de encontros. Com determinação e empenho, provou sua competência ao ponto de, anos depois, deixar a organização na posição de Directora Executiva.

Vinte anos mais tarde, regressou à instituição como Presidente do Pelouro das Mulheres, Jovens Empresários, PME’s e Empreendedorismo, experiência que considera como uma das que mais marcou o seu percurso. Acrescenta: “costumo usar esse exemplo quando falo com jovens raparigas, porque mostra que na vida tudo é um processo, nada acontece de um dia para o outro. É preciso trabalho, dedicação e a construção de relações profissionais baseadas em demonstração de capacidade e confiança”.

Outro momento muito relevante foi quando assumiu um novo desafio profissional na Rio Tinto, uma das maiores empresas mineiras do mundo, onde desempenhou uma função regional durante cerca de cinco anos.

Fora do ambiente profissional e empresarial, é uma mulher casada e mãe de três filhos. Sendo uma mulher com múltiplas responsabilidades, reconhece que um dos maiores desafios é conciliar todas as áreas da sua vida, sem falhar em nenhuma delas. Ainda assim, afirma: “a minha família é a minha base e o meu principal projecto de vida. Por isso, as outras responsabilidades são organizadas em torno dessa prioridade”.

Como alternativa, adoptou uma estratégia de trabalho em equipa e aprendeu a delegar. Conta com equipas de apoio nos diferentes projectos, incluindo a sua empresa, o Podcast Para Elas e também na gestão da sua vida familiar. “Sozinha seria impossível”, confessou.

Reflectindo sobre o seu percurso, ressalta que “foi construído com base no trabalho, disciplina, fé e persistência”. À semelhança de muitos profissionais, enfrentou diversos desafios, mas nunca desanimou, tampouco desperdiçou as oportunidades que lhe apareceram. “Cada oportunidade que surgia eu pegava nela como se fosse a única da vida, porque eu estava consciente que era uma oportunidade que me podia abrir outras janelas ou fechar todas”, explicou.

E concluiu: “Cada uma dessas experiências “contribuiu para moldar a mulher que sou hoje,  alguém que acredita no poder da educação, do trabalho e da colaboração para transformar vidas”.

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