Texto: Benjamim Cristiano
A COMARP realizou, a 23 de Julho de 2026, a primeira edição do COMARP Fórum Cabo Verde, um evento que assinala a expansão da plataforma para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). Subordinado ao tema “A Transformação Digital e as Novas Fronteiras da Comunicação e do Marketing”, o fórum decorreu no Campus da Universidade de Cabo Verde, na Cidade da Praia.
Durante a sessão de abertura, o fundador da COMARP, Edson Rufai, afirmou que a realização do fórum representa a união dos profissionais, empresas, universidades e instituições para o fortalecimento do sector da comunicação nos PALOP.
“Hoje é um dia muito especial para a COMARP, porque finalmente chegamos a Cabo Verde e damos mais um passo para a concretização de uma visão que nasceu há alguns anos: criar uma plataforma que unisse profissionais, empresas, universidades e instituições públicas e privadas em torno de um objectivo comum, que é fortalecer a Comunicação, o Marketing e as Relações Públicas em países africanos de expressão da língua portuguesa”, disse.
Edson Rufai acrescentou ainda que o objectivo é levar o impacto que a COMARP tem gerado em Moçambique para Cabo Verde e os restantes países dos PALOP nas dimensões profissional, empresarial e académica.
Por sua vez, o representante da Coligação da Juventude dos PALOP, Rodilson Delgado, destacou que o fórum demonstra a importância da cooperação e da partilha de conhecimento.
“Reunir profissionais, estudantes, académicos, instituições e especialistas num mesmo espaço permite-nos aprender uns com os outros e construir novas ideias”, afirmou.

Impacto da Inteligência Artificial e Big Data na Comunicação
O evento contou com dois painéis de debate. O primeiro, subordinado ao tema “Impacto da Inteligência Artificial e Big Data na Comunicação”, foi moderado por Mónica Rodrigues (Consultora em Comunicação Estratégica e fundadora da Public Speaking Academy) e reuniu como oradores António Costa (Country Manager da Bravantic Evolvin Technology), Laura Reis (Especialista em Transformação Digital e Co-fundadora da Shetch) e Cláudia Manjate (Directora de Relações Governamentais e Engajamento Institucional da Vodacom Moçambique).
António Costa defendeu a criação de normas para regulamentar o uso da inteligência artificial na comunicação por parte das empresas e instituições públicas. Para o especialista, os dados são privados e devem ser geridos com responsabilidade.
Cláudia Manjate destacou a importância da ética na utilização da inteligência artificial, sublinhando que a responsabilidade do conteúdo é do ser humano. “A máquina pode fazer o que quiser, contudo, aquilo que digo é da minha responsabilidade, não posso dizer que foi o algoritmo que me deu”, afirmou.
Laura Reis destacou que o Governo cabo-verdiano e empresas privadas têm promovido capacitação de jovens no âmbito da transformação digital, permitindo-lhes aplicar o conhecimento adquirido no país ou no exterior.
Negócios digitais e o futuro da Inovação no Marketing
O segundo painel de debate abordou o tema “Negócios digitais e o futuro da Inovação no Marketing”. Foi moderado por Evelise Carvalho (Jornalista e Directora de Informação da TVA Cabo Verde) e teve como oradores Laurentino Correia (CEO da Digital e Especialista em Marketing, Publicidade e Blockchain), Rui Matata Manuel (Director de Marketing e Comunicação do Fundo Soberano de Angola), Darlyn Estrela (Senior Officer, Marketing, Brand and Communication no EcoBank Cabo Verde) e Lígia Spenser (Especialista em Publicidade e Marketing).
Durante o painel, Lígia Spenser defendeu a importância de criar bases para negócios digitais, recomendando que empreendedores e empresas comecem por utilizar ferramentas acessíveis, como as redes sociais, para alcançar o seu público-alvo.
Rui Matata, que participou virtualmente, explicou que a tranformação digital permite às empresas africanas ganhar escala sem perder a próximidade, defendendo que a inteligência artificial deve servir pessoas reais.
Segundo Rui Matata, a inteligência artificial deve assumir tarefas, mas nunca assumir a identidade das empresas e a avaliação humana. Para o especialista, a eficiência pode ser automatizada, mas a responsabilidade continua a ser das pessoas.
Darlyn Estrela destacou a importância da definição de objectivos claros para o sucesso das campanhas de marketing no contexto dos negócios digitais.
A primeira edição do COMARP Fórum Cabo Verde reuniu cerca de 150 participantes, entre líderes governamentais, gestores, profissionais, académicos, estudantes, organizações e representantes do sector privado, provenientes de Cabo Verde, Moçambique, Angola e Guiné-Bissau. O evento assinalou o início da expansão da plataforma COMARP para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).