Texto: Galhardo Vaz Negro
No dia 22 de Julho, o Hotel Afrin acolheu a 3.ª edição do Chá da Liderança Feminino & Masculino: A Mesa do Futuro, uma iniciativa promovida pela SHEvolution que reuniu profissionais de diferentes áreas para debater temas ligados à liderança, desenvolvimento pessoal, empreendedorismo, comunicação e impacto social.
O evento contou com a participação de seis oradores que partilharam experiências, desafios e aprendizagens acumuladas ao longo das suas trajectórias profissionais.
O primeiro interveniente foi DJ Faya, DJ e empresário com mais de 20 anos de carreira e fundador da primeira escola de DJs em Moçambique. Durante a sua intervenção, destacou a importância de transformar talentos em oportunidades de negócio sustentáveis. Segundo o orador, o medo, a falta de recursos financeiros e a escassez de experiência constituem alguns dos principais obstáculos enfrentados por quem pretende alcançar os seus objectivos.
DJ Faya defendeu que o sucesso exige propósito, planeamento e disciplina, sublinhando que a motivação nem sempre está presente, mas a disciplina deve ser constante. Incentivou os participantes a desenvolverem novas competências diariamente, incluindo através das redes sociais e da inteligência artificial, e a acreditarem na sua capacidade de concretizar os próprios sonhos.
A segunda oradora, Nércia Manjate, especialista em Educação e Desenvolvimento, centrou a sua intervenção na relação entre conhecimento e acção. Para a especialista, “conhecimento sem acção é uma biblioteca”, defendendo que a verdadeira transformação ocorre quando o saber é colocado em prática.
Manjate abordou ainda a importância da educação na formação de cidadãos activos e conscientes, diferenciando-a da simples escolarização. Destacou ainda a necessidade de valorizar as línguas locais e de procurar soluções locais para os desafios enfrentados pelas comunidades moçambicanas.
A empresária e especialista em Ética e Liderança Organizacional, Elisabeth Castro, foi a terceira oradora do encontro. Com mais de 22 anos de experiência na área da liderança, apresentou uma visão centrada na liderança humanizada, baseada na exigência equilibrada, no respeito e na valorização das pessoas.
Segundo a oradora, liderar não significa abdicar da exigência, mas sim exercê-la de forma inteligente, proporcional e respeitosa. A especialista reconheceu também que a coragem é um elemento fundamental para quem inicia um percurso de liderança.
A quarta intervenção esteve a cargo de Eunice Andrade, comunicadora, apresentadora de televisão e empreendedora. A oradora falou sobre o poder da comunicação como ferramenta de mobilização e influência, defendendo a autenticidade como um dos pilares do sucesso.
Eunice afirmou que a capacidade de comunicar, mobilizar e influenciar foi sendo construída ao longo da sua trajectória profissional, mantendo sempre a sua identidade, independentemente dos ambientes em que se encontra. Para a comunicadora, a vida é feita de escolhas e cada pessoa deve procurar deixar um legado positivo nos espaços por onde passa.
O quinto orador foi Ernesto Gove Júnior, profissional do sector bancário, que abordou temas relacionados com identidade, autoconsciência e liderança pessoal. Durante a sua apresentação, destacou a importância do autoconhecimento e da validação interna, defendendo que ninguém pode liderar os outros sem antes aprender a liderar a si próprio.
Gove salientou ainda que a acção desempenha um papel determinante no desenvolvimento da motivação e apelou aos participantes para privilegiarem a qualidade em detrimento de preconceitos relacionados com género. Defendeu ainda que a humildade, a coragem e a capacidade de reconhecer limitações são características essenciais de um verdadeiro líder.
A encerrar o painel de intervenções esteve Romero Bay, empresário com mais de 20 anos de experiência em liderança. O orador apresentou uma visão da liderança assente na capacidade de transformar oportunidades em impacto, destacando a importância da dimensão humana na gestão de equipas.
Para Romero, o equilíbrio entre firmeza e empatia é determinante para o sucesso das organizações. Considera que um líder deve preocupar-se genuinamente com o bem-estar dos seus colaboradores e parceiros, promovendo ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos. Defendeu também que liderar não significa necessariamente ocupar a posição de maior visibilidade, mas sim contribuir intelectualmente para o alcance dos objectivos colectivos.
Ao longo do encontro, os diversos oradores convergiram na defesa de valores como a coragem, a disciplina, a autenticidade, o autoconhecimento, a aprendizagem contínua e a liderança humanizada, reforçando a necessidade de formar líderes capazes de gerar impacto positivo na sociedade e nas organizações. A 3.ª edição do Chá da Liderança confirmou-se, assim, como um espaço de partilha de experiências e de reflexão sobre os desafios e oportunidades da liderança contemporânea, reunindo profissionais de diferentes sectores em torno da construção de um futuro mais inclusivo, consciente e transformador.