Home Inovação Revolução digital: Port Community System transforma logística em Maputo

Revolução digital: Port Community System transforma logística em Maputo

Por: Paulo Manjate

O Porto de Maputo acaba de escrever o capítulo mais decisivo da sua história recente em direcção à modernização tecnológica. Sob a liderança da Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC), foi oficialmente adjudicado à multinacional Kale Logistics Solutions o projecto do primeiro Port Community System (PCS) de Moçambique, uma plataforma digital unificada que promete redefinir os padrões de eficiência logística no país e na região.

Mais do que uma ferramenta, o PCS representa a materialização de uma visão estratégica iniciada em 2021, quando a administração do porto identificou que a competitividade máxima só seria alcançada através da integração total de dados. Agora, com um cronograma de implementação de 22 meses, o sistema entra em fase de consolidação, substituindo processos fragmentados e interacções manuais por um ecossistema hiperconectado, seguro e neutro.

O fim da fragmentação de dados

Historicamente, o comércio externo sempre enfrentou o desafio de coordenar fluxos de informação dispersos entre múltiplos intervenientes do sector público e privado. A operação portuária tradicional exigia uma constante troca de documentos físicos, gerando redundância, morosidade e margem para erros.

Com o PCS de Maputo, essa barreira é eliminada. A plataforma funciona como uma infra-estrutura virtual que centraliza as operações, integra dados e automatiza processos, garantindo visibilidade em tempo real e rastreabilidade total das cargas. O sistema foi desenvolvido em parceria com a Kale Logistics Solutions, vencedora de um concurso internacional competitivo, e já conta com soluções implementadas em mais de 150 portos e aeroportos em 50 países, o que atesta a maturidade tecnológica da escolha.

A grande inovação do sistema está na sua capacidade de interligar, de forma nativa, todo o ecossistema marítimo, rodoviário, ferroviário e aduaneiro do país. O PCS não substitui os sistemas existentes, mas integra-se perfeitamente a eles, criando uma rede colaborativa inteligente.

  • Conectividade institucional: O sistema conecta a Autoridade Tributária, os reguladores nacionais (como INAMAR, ITRANSMAR e IFEPOM), despachantes, agentes de navegação e transportadores, promovendo uma verdadeira comunidade portuária digital;
  • Interoperabilidade: A plataforma dialoga directamente com a Janela Única Electrónica (JUE), os Sistemas Operacionais dos Terminais, a Gestão de Tráfego Marítimo e redes bancárias, garantindo fluidez informacional sem ruídos;
  • Gestão multimodal: O PCS oferece suporte de ponta a ponta na gestão de navios, processos de importação, exportação, transbordo, cabotagem, armazenamento e fluxos de transporte ferro-rodoviário, consolidando o Corredor de Maputo como espinha dorsal logística da região.

Impacto operacional e sustentabilidade

A transição para um ambiente estritamente digital gera impactos quantificáveis e imediatos na competitividade do Porto de Maputo. A visibilidade em tempo real do estado das cargas permite que os operadores tomem decisões rápidas, optimizem o uso de activos e evitem estrangulamentos físicos que geram custos adicionais.

Além do ganho financeiro e da transparência processual, a desmaterialização documental reduz drasticamente o desperdício de papel e optimiza o tempo de espera de camiões e navios. Essa optimização traduz-se em menor tempo com motores em marcha lenta, reduzindo o ruído e as emissões de gases poluentes, alinhando o porto com as metas globais de descarbonização e logística verde.

No evento de lançamento, realizado na Galeria do Porto de Maputo, o Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, destacou que “a transformação digital deixou de ser uma opção e tornou-se um pré-requisito para a competitividade”. Ele reforçou que o PCS está totalmente alinhado com a visão do Governo para a modernização dos transportes e a facilitação do comércio, posicionando Moçambique na vanguarda da revolução logística em África.

Por sua vez, o Director-Executivo da MPDC, Osório Lucas, sublinhou que o PCS não é apenas um software isolado, mas sim uma viragem cultural. “Ao possibilitar a colaboração em tempo real e a partilha de informações entre as partes interessadas, estamos fortalecendo o papel do Porto de Maputo como uma porta de entrada estratégica para o comércio regional e internacional”, afirmou. Acrescentou ainda: “estamos preparando a economia nacional para os desafios da próxima geração do comércio e da logística”.

Vineet Malhotra, Director e Cofundador da Kale Logistics, celebrou a parceria, “é uma honra para nós sermos seleccionados pela MPDC para esta iniciativa estratégica. Com soluções já implementadas em mais de 150 aeroportos e portos em mais de 50 países, estamos comprometidos em apoiar a digitalização do comércio em África e posicionar Maputo como uma porta de entrada digital líder na África Austral.”

Com o PCS, Moçambique dá um salto qualitativo rumo a um ecossistema logístico mais inteligente, integrado e sustentável. Ao colocar os dados na base da tomada de decisão, o país passa a operar sob os mesmos padrões das infra-estruturas mais avançadas do mundo e o Porto de Maputo consolida-se, assim, como o motor da inovação no Índico.

Partilhar nas Redes Sociais

Facebook
LinkedIn
X
WhatsApp

Subscreva a nossa Newsletter para receber novas publicações na revista, dicas e novas fotografias. Vamos manter-nos actualizados!

Subscreva a nossa newsletter e receba em primeira mão novas publicações, dicas exclusivas e conteúdos inspiradores. Fique sempre actualizado!