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Moçambique Digital: O Novo Coração Tecnológico da UEM

Por: Paulo Manjate

A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) consolidou o maior salto tecnológico da sua história recente. Em Agosto, foi oficialmente inaugurado o seu novo Centro de Dados Híbrido de última geração. Instalada no Campus Principal da universidade, a nova infra-estrutura transcende o perímetro académico. O projecto posiciona-se como um pilar estratégico para a transformação digital, modernização dos serviços públicos e garantia da soberania de dados em Moçambique.

Financiado pelo Banco Mundial no âmbito do Projecto MozSkills do Ministério dos Transportes e Comunicações, o empreendimento surge como uma peça estratégica para impulsionar a economia do conhecimento. O novo ecossistema substitui as antigas instalações adaptadas que, embora funcionais, já não respondiam à crescente densidade de dados. Trata-se de uma obra concebida de raiz, projectada sob padrões modernos para garantir a continuidade operacional.

Engenharia de ponta e sustentabilidade verde

O grande diferencial do novo Centro de Dados reside no seu modelo híbrido e na sua resiliência energética. Reconhecendo o alto consumo de electricidade demandado por processamentos complexos, a infra-estrutura adopta a energia solar fotovoltaica como fonte primária, reduzindo a dependência exclusiva da rede eléctrica convencional e minimizando custos operacionais.

Segundo a Direcção Técnica do CIUEM, liderada por David Bila, esta infra-estrutura integra uma solução única que reúne sistemas de alimentação eléctrica redundantes, climatização de precisão, monitorização ambiental em tempo real e segurança física reforçada. O desenho tecnológico foi estruturado para suportar o crescimento das plataformas digitais de forma segura e ininterrupta nos próximos 10 a 15 anos.

Para a comunidade universitária, os ganhos são imediatos. O reitor da UEM, Prof. Doutor Manuel Guilherme, destacou que a migração da antiga Sala de Servidores para o novo Centro de Dados representa um aumento de cerca de 14 vezes na capacidade de armazenamento da instituição. Esta evolução cria as condições ideais para estabilizar os portais administrativos, as tecnologias educacionais, os sistemas de inscrição e as bibliotecas digitais que servem diariamente milhares de estudantes e funcionários.

O verdadeiro salto, contudo, reflecte-se na investigação científica de ponta. Pesquisadores passam a contar com infra-estrutura para simulações complexas, suporte a ferramentas de Inteligência Artificial (IA), Big Data e Ciência de Dados. Além disso, a UEM poderá passar a desenvolver serviços de nuvem privada e ampliar o apoio tecnológico directo a startups e pequenas empresas tecnológicas locais.

Uma infra-estrutura de interesse nacional

A escolha da mais antiga instituição de ensino superior do país para alojar este activo fundamenta-se no percurso histórico do CIUEM. Criado em 1981, o centro teve um papel pioneiro ao introduzir a internet em Moçambique na década de 1990.

Mais do que suportar as necessidades internas da universidade, o novo Centro de Dados resguarda serviços cruciais de utilidade pública nacional. É a partir desta infra-estrutura modernizada que se continuará a alojar com elevada fiabilidade o domínio de topo nacional (mz) e o ponto nacional de troca de tráfego de internet, o MOZIX.

O desafio da cibersegurança

Durante a cerimónia de inauguração, o Ministro dos Transportes e Comunicações, Américo Muchanga, defendeu que as universidades moçambicanas devem liderar a produção do conhecimento aplicável à transformação digital. O dirigente lançou um desafio directo à UEM, reforçar de forma agressiva a formação em Cibersegurança e no processamento automatizado de dados.

A meta do Executivo é garantir que o país não apenas adopte as inovações tecnológicas emergentes, mas desenvolva competências locais robustas para gerir os riscos digitais com segurança e autonomia.

Ao aliar soberania de dados, transição para energias renováveis e foco na ciência computacional avançada, a UEM firma-se definitivamente como a arquitecta da infra-estrutura tecnológica que sustentará Moçambique nas próximas décadas.

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