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Elementos da Comunicação vs Percepção

Texto: Ulce Cuco

O que queres dizer, é o que dizes?

A percepção será uma das chaves para a efectivação da intenção da comunicação? A resposta, como veremos, é um ressonante sim. Mas comecemos pelo princípio.

Percepção é o processo pelo qual o indivíduo selecciona, organiza e interpreta estímulos do ambiente, atribuindo-lhes significado com base nas suas experiências, crenças e contexto.  No contexto da comunicação, podemos também apoiar-nos no conceito trazido por Philip Kotler, que define a percepção como o processo pelo qual uma pessoa selecciona, organiza e interpreta informações para criar um quadro significativo do mundo.

Ora, se como acima proposto podemos concluir que perceber é entender, essa é a premissa para que o emissor e o receptor se encontrem e estejam sob o mesmo contexto. Vários elementos podem facilmente influenciar a percepção do receptor e, para garantir a percepção do meu querido leitor, vamos dimensionar os elementos da comunicação sobre os quais nos debruçamos.

•           Emissor: Quem origina e transmite a mensagem

•           Receptor: Quem recebe e interpreta a mensagem

•           Código: Sistema de sinais partilhado entre as partes

•           Mensagem: O conteúdo efectivo da comunicação

•           Canal: O meio pelo qual a mensagem é transmitida

•           Ruído: Tudo o que interfere com a transmissão clara

Este esquema, proposto pelo linguista russo Roman Jakobson, segue sendo um dos mais eficientes na representatividade dos elementos-chave para uma comunicação clara.

“Para que o emissor e o receptor se encontrem, é necessário estarem sob o mesmo contexto.”

Comecemos pelo Código, e de que forma este influencia a comunicação?

Como visto acima, o código refere-se ao sistema convencionado de sinais, símbolos ou regras partilhadas entre o emissor e o receptor, que torna possível codificar e descodificar a mensagem. Só existe comunicação quando ambas partes dominam o mesmo código, ou, pelo menos, uma parte suficiente dele para que a mensagem faça sentido.

Exemplos de códigos e as suas variações:

•           Língua verbal (português, inglês, etc.) | Linguagem gestual | Código de cores (semáforo, marcas) | Sons e música | Sinais de trânsito | etc.

Um código pressupõe decifrar para “abrir” e garantir acesso ao que se pretende transmitir. Para uma percepção eficaz, é necessário garantir que o código usado é reconhecido e decifrável pelo receptor, por forma a que as partes “falem a mesma língua” e garantir que o conteúdo transmitido é compreendido na intenção do emissor, garantindo assim a percepção eficaz do receptor e o sucesso para a comunicação.

A minha intenção aqui é garantir que não estejas a justificar ou até desculpar sempre que fores comunicar e que alinhes desde o início a tua comunicação.

Quando fores comunicar, tenha a certeza de que o código, ou os códigos, a usar vão ao encontro do que pretendes transmitir e são decifráveis no contexto do receptor.

Comprometo-me a falar do contexto na próxima edição, como um dos elementos que também tem o seu impacto na percepção, ou não, da nossa intenção de comunicação.

Lembra-te: a comunicação é uma peça-chave nas relações humanas e deve ser intencional.

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