Denise Ivone Mboane expande a sua carreira no associativismo e desenvolvimento social ao assumir a função de Consultora de Comunicação para o Desenvolvimento na UNESCO, em Moçambique. Este novo desafio surge como resultado de uma trajectória marcada pela dedicação, defesa dos direitos humanos e promoção da inclusão social, representando, simultaneamente, uma nova etapa no percurso que vem construindo ao longo dos anos.
Para Denise, esta oportunidade representa a concretização de um sonho construído há anos: integrar o sistema das Nações Unidas e contribuir para iniciativas que promovem a dignidade humana, a educação, a igualdade e o desenvolvimento sustentável. A profissional considera que o desafio se torna ainda mais significativo por se identificar com os princípios da organização.
“Acredito que o desenvolvimento não se constrói apenas com infra-estruturas ou políticas, mas também com conhecimento, participação e transformação de mentalidades”, afirma.
Para alcançar esta etapa, Denise alinhou o seu percurso académico aos seus objectivos profissionais. É licenciada em Direito pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM), possui pós-graduação em Liderança e Inovação Social pela Católica Lisbon School of Business and Economics e é mestre em Direitos Humanos pela University of Sussex, no Reino Unido.
Aliada à visão da UNESCO, que defende a educação, ciência, cultura e comunicação como elementos fundamentais para a consolidação de mudanças consistentes, a profissional considera que esta nova função “é também a prova de que os sonhos podem tornar-se realidade quando são acompanhados por trabalho, resiliência e um compromisso genuíno com o impacto social”.
O novo desafio representa uma intersecção entre as suas principais áreas de interesse: comunicação, direitos humanos, juventude e participação cívica – temas igualmente reflectidos no seu livro sobre participação política e cidadania digital.
Nesse sentido, assumir a função de Consultora de Comunicação para o Desenvolvimento na UNESCO exige uma abordagem estratégica e inclusiva da comunicação.
“A comunicação para o desenvolvimento exige não apenas comunicar ou mobilizar pessoas, mas compreender como a comunicação pode influenciar comportamentos, fortalecer comunidades e contribuir para resultados concretos em áreas como educação, saúde, igualdade de género e inclusão social”, explica.
Mais do que um passo importante de crescimento profissional, esta nova fase representa a continuidade de um compromisso com a participação cidadã e a transformação social, assumido por Denise ao longo dos anos.

Por considerar que esta conquista resulta de um processo construído gradualmente, a profissional destaca experiências como o trabalho desenvolvido com a Save the Children junto de jovens nas comunidades da Zambézia e Nampula, a participação na Girl MOVE Academy, a defesa dos direitos humanos através das plataformas digitais, campanhas de mobilização social, incluindo petições por si criadas, a experiência internacional durante o período do mestrado no Reino Unido e a criação de iniciativas próprias, como a Wagaia, enquanto momentos determinantes da sua trajectória.
Contudo, Denise considera que foram também os desafios pessoais e profissionais que mais contribuíram para a sua formação. Um dos episódios que mais marcou a sua vida foi a perda da mãe dias antes da defesa da sua tese de conclusão de curso. Ainda assim, seguiu em frente, descobrindo uma força e resiliência que passaram a orientar o seu percurso.
Ao reflectir sobre o papel da Comunicação para o Desenvolvimento em Moçambique, a profissional defende que “não basta que existam políticas, programas ou serviços; é fundamental que as pessoas compreendam os seus direitos, sintam que fazem parte da conversa e tenham condições para agir sobre aquilo que afecta as suas vidas”.
Na sua perspectiva, o país tem registado uma evolução, uma vez que as instituições começam, cada vez mais, a ouvir antes de comunicar. Assim, a mensagem deixa de ser apenas transmitida e passa a ser apropriada pelas comunidades.
Relativamente à juventude, Denise considera que um dos principais desafios “não é apenas o acesso às oportunidades, mas a desigualdade no acesso às ferramentas que permitem aproveitar essas oportunidades”. Para si, o avanço da educação e da digitalização depende de investimentos em infra-estruturas, ferramentas tecnológicas e programas inclusivos.
“Muitos jovens têm ideias brilhantes, mas nem sempre encontram apoio para transformá-las em acções concretas. Nunca foi tão fácil mobilizar pessoas, aprender novas competências e construir iniciativas através das ferramentas digitais. A juventude moçambicana é criativa, resiliente e cada vez mais consciente do seu papel na sociedade”, declara.
A profissional acrescenta que a inovação e a inteligência artificial são realidades que vieram para ficar, fruto da transformação digital. Contudo, reconhece que muitos jovens ainda enfrentam limitações relacionadas ao acesso à internet, electricidade, dispositivos tecnológicos e educação de qualidade, factores que continuam a atrasar este processo.
Diante deste cenário, incentiva a juventude a não se deixar limitar pelos desafios, recordando a sua própria experiência: mesmo sem recursos próprios, utilizou ferramentas digitais acessíveis para produzir o seu primeiro livro, que actualmente conta com cerca de três mil exemplares no mercado.
Neste percurso, que agora se estende à UNESCO, Denise pretende utilizar os seus conhecimentos, experiências e oportunidades para “criar oportunidades, amplificar vozes e ajudar a transformar o meu país, que tanto amo”, afirma.