Texto: Alberto António
Moçambique deu um passo histórico rumo à sua auto-suficiência técnica e ao fortalecimento da economia nacional. No dia 11 de Maio (segunda-feira), em Maputo, foi oficialmente lançada a construção do Centro Tecnológico de Moçambique (CTM). A infra-estrutura, avaliada em aproximadamente 40 milhões de dólares, surge como um pilar estratégico para a capacitação de profissionais moçambicanos que irão actuar na indústria de petróleo e gás, especialmente no contexto das vastas reservas de gás natural liquefeito (GNL) da Bacia do Rovuma.
O CTM é o resultado de uma cooperação robusta entre o sector público e privado. A iniciativa nasce da parceria entre o governo moçambicano, por meio do Ministério dos Recursos Minerais e Energia e da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), e os parceiros da Área 4 da Bacia do Rovuma, em Cabo Delgado, um consórcio liderado pela gigante norte-americana ExxonMobil.
O projecto tem raízes diplomáticas profundas, tendo o seu memorando de entendimento sido assinado em 2025, na cidade de Houston, durante uma visita oficial do Presidente da República, Daniel Chapo, aos Estados Unidos, sublinhando o compromisso do Estado em atrair investimentos que não se limitam à extração de recursos, mas que deixem um legado de conhecimento e competência técnica no país.
Durante a cerimónia de lançamento da primeira pedra, o ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, enfatizou que a criação do centro não é apenas uma necessidade logística, mas uma afirmação de autonomia. Segundo o governante, o projecto visa fortalecer a formação técnica nacional e, simultaneamente, otimizar os recursos do Estado.
“Este projecto representa a decisão soberana de Moçambique de investir no seu talento nacional e reforçar o conteúdo local”, afirmou Estêvão Pale. O ministro destacou ainda que a infra-estrutura será fundamental para a retenção de conhecimento dentro de fronteiras. A dependência de centros de formação estrangeiros tem sido um custo elevado para o país, e o CTM pretende inverter essa lógica: “Cada técnico formado representa um passo para a substituição progressiva de mão-de-obra estrangeira por quadros nacionais”, acrescentou o ministro.
De acordo com o plano operacional, o CTM terá capacidade para formar anualmente até 250 técnicos. O currículo foi desenhado para responder às lacunas mais críticas do mercado energético actual. Os formandos serão capacitados em áreas estratégicas para os grandes projectos energéticos, tais como: Operações de processo, Electricidade industrial, Instrumentação e Manutenção Mecânica.
A internacionalização das competências é outro ponto focal. O director-geral da ExxonMobil Moçambique, Arne Gibbs, reforçou que o compromisso dos parceiros da Área 4 é com a excelência. Ele sublinhou que o centro permitirá formar estudantes com certificação internacional, garantindo que a mão-de-obra moçambicana esteja alinhada às exigências globais da indústria de GNL.
O investimento de 40 milhões de dólares terá um impacto directo na balança económica do sector extractivo. Ao capacitar os quadros internamente, o país reduz os custos com viagens, estadias e propinas em instituições internacionais. Estêvão Pale sublinhou que essa poupança permitirá direccionar recursos para o desenvolvimento de outros sectores internos.
Além disso, o fortalecimento do “Conteúdo Local” permite que empresas moçambicanas de prestação de serviços tenham acesso a técnicos qualificados localmente, aumentando a competitividade das PMEs nacionais perante os grandes operadores internacionais.
A construção do Centro Tecnológico de Moçambique poderá ser o motor que garantirá que a riqueza do gás se transforme, efectivamente, em desenvolvimento humano e prosperidade para as próximas gerações no país.