Moçambique alcançou um índice de inclusão financeira de 120%, o equivalente a mais de uma conta por adulto, um marco que evidencia a rápida expansão do acesso aos serviços financeiros digitais no país. O dado foi partilhado por Sérgio Gomes, Director-Geral da Vodafone M-Pesa, durante a Conferência Executiva dos 25 anos da EMIS, realizada em Luanda.
Na sua intervenção, Sérgio Gomes destacou que este resultado é fruto de decisões estratégicas que procuraram eliminar barreiras de acesso e aproximar os serviços financeiros da população. Entre os principais factores apontados estão a possibilidade de abertura de conta com apenas um documento de identificação, de entre os sete aceites a nível nacional, a utilização da tecnologia USSD, que permite realizar transacções a partir de qualquer telemóvel, e a criação de uma ampla rede de agentes que garante serviços de depósito e levantamento de dinheiro em praticamente todo o território nacional.
Apesar dos avanços alcançados, o responsável defendeu que o sector enfrenta agora um novo desafio. Segundo explicou, ter uma carteira móvel e utilizá-la apenas para receber valores e efectuar levantamentos imediatos já não é suficiente para gerar uma transformação económica sustentável.
“Com sucesso alcançámos esse objectivo. Agora estamos no momento de garantir que isso transforme vidas. O passo seguinte é a inclusão económica”, afirmou.
Para Sérgio Gomes, o foco deve passar pela disponibilização de produtos financeiros mais abrangentes, incluindo soluções de financiamento, seguros, poupança e investimento acessíveis aos milhões de moçambicanos que operam no sector informal da economia.
O responsável sublinhou ainda que a inclusão económica representa uma oportunidade para acelerar a formalização da actividade económica no país, permitindo que empreendedores e pequenos negócios tenham acesso a ferramentas financeiras capazes de impulsionar o crescimento dos seus negócios e melhorar a sua resiliência financeira.
A intervenção decorreu no âmbito das celebrações dos 25 anos da EMIS e reuniu especialistas e líderes do sector financeiro para debater o futuro dos pagamentos digitais e da inclusão financeira em África. A experiência moçambicana foi apresentada como um exemplo de como a combinação entre inovação tecnológica, simplicidade de acesso e proximidade com os utilizadores pode contribuir para expandir rapidamente o acesso aos serviços financeiros.
Com níveis de inclusão financeira já consolidados, a próxima etapa passa agora por garantir que esses serviços sejam utilizados como instrumentos de desenvolvimento económico, promovendo a geração de rendimento, a poupança e o investimento para um número cada vez maior de cidadãos.