Home Inovação FIDLI: A plataforma moçambicana que aproxima empresas e clientes

FIDLI: A plataforma moçambicana que aproxima empresas e clientes

Por: Paulo Manjate

Num cenário onde a retenção de clientes se tornou tão valiosa quanto a sua captação, surge no mercado moçambicano uma ferramenta desenhada para fortalecer os laços comerciais. O “Fidli” é uma plataforma de fidelização que promete revolucionar a forma como as empresas locais se relacionam com os seus consumidores.

Yula Guivala, membro do projecto, descreve o sistema como “uma solução que consiste em trazer mais afinidade entre um cliente e a sua empresa para fazer gestão dos seus produtos de uma forma controlada“. A proposta é oferecer, num único ecossistema digital, as funcionalidades necessárias para que os negócios possam gerir a relação com os seus clientes de maneira integrada e eficiente.

Yula Guivala é uma profissional moçambicana com actuação nas áreas de Gestão de Produtos (Product Owner) e Design de Experiência e Interface do Utilizador (UX/UI Design). 

Licenciada em Engenharia Informática pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Guivala complementou a sua formação com uma graduação em UX/UI Design pela Baobab Hub, Escola Moçambicana de Design. Sobre esta experiência, partilhou: “sempre fui apaixonada por trazer produtos de alta qualidade para o mercado. O curso de UX Design tem sido uma revelação para mim”. A formação reforçou a sua convicção sobre a importância de colocar o “utilizador no centro de tudo o que fazemos“, reconhecendo que “a pesquisa de utilizador me mostrou que, muitas vezes, as suposições que fazemos como equipa podem estar longe da realidade das necessidades e expectativas dos nossos clientes“.

Como funciona a plataforma

O mecanismo do Fidli é simples e directo. “Com o aplicativo, o cliente vai à sua loja fazer compra, onde tem a oportunidade de ganhar pontos a serem usados e acumulados a partir de um produto“. Este sistema de recompensas estimula o retorno periódico do consumidor, criando um ciclo virtuoso de visitas e vendas.

Para além da acumulação de pontos, a plataforma permite “fazer a facturação através de ‘gifts’ e integrações com serviços bancários e deslocação, usando o transporte Yango”. Esta abordagem transforma o aplicativo num centro de serviços múltiplos, onde o utilizador encontra soluções que vão além da simples compra.

A arquitectura tecnológica

O desenvolvimento do Sistema de Gestão e Portal do Fidli recorreu ao Next.js, um framework que viabiliza a renderização de páginas do lado do servidor, assegurando rapidez no acesso à informação. A plataforma incorpora ainda tags e cartões personalizados com suporte a NFC (Near Field Communication), tecnologia que facilita a portabilidade e a interacção do utilizador com o sistema. A interface visual foi estruturada com recurso à biblioteca Material-UI (MUI), garantindo consistência e escalabilidade na experiência do utilizador.

Benefícios para diferentes actores

A visão da plataforma estende-se para além do comércio tradicional. “Sendo dona da empresa posso estar conectada, ter gestor de ‘stock’ do meu produto e minha empresa, fornecendo alguns serviços aos bancos e comitivas deslocadoras“, explicou Guivala.

Os bancos também encontram espaço no ecossistema, “podendo criar a sua conta e ver o seu extracto bancário através do aplicativo“. Esta integração financeira posiciona o Fidli como uma solução transversal, capaz de servir diferentes sectores da economia.

Fidelização como estratégia de crescimento

A abordagem adoptada pelo Fidli assenta no “marketing de fidelização, uma estratégia eficaz utilizada com sucesso no mundo, desde as grandes e pequenas empresas“, segundo a criadora do projecto. Ao disponibilizar esta tecnologia para o mercado nacional, Guivala acredita estar a oferecer “um factor crítico de sucesso que deverá impulsionar, significativamente, o crescimento dos negócios locais“.

O projecto ganhou visibilidade ao concorrer ao conceito de “gifts”, uma iniciativa governamental implementada pelo Ministério das Finanças com financiamento do Banco Mundial. Guivala explica que esta foi a forma encontrada para “lançar o seu aplicativo para o público-alvo aderir, nomeadamente clientes e utilizadores”.

A aposta foi bem-sucedida, o “Fidli” foi “seleccionado pelo júri como quarto vencedor e será financiado no valor de 150 mil dólares“. Este investimento representa um marco importante para a consolidação da ideia e a sua introdução efectiva no mercado moçambicano.

Aponte que, um dos aspectos inovadores que a plataforma fornece e traz para o público-alvo é garantia da junção das componentes num aplicativo, como a fidelização, cliente e empresa”. Esta convergência de funcionalidades, gestão de stock, facturação, fidelização de clientes e serviços bancários num único espaço digital é o grande diferencial do Fidli.

Ao concentrar ferramentas que tradicionalmente operam de forma isolada, a plataforma oferece às empresas moçambicanas uma solução completa e acessível para a gestão da sua relação com os clientes, alinhando-se às tendências globais de digitalização dos negócios.

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