Por: Cláudia Manjate
No livro O Poder Integrado da Comunicação, Marketing e Relações Públicas, a especialista Cláudia Manjate apresenta uma análise crítica e profundamente contextualizada sobre o papel das Relações Públicas (RP) no ambiente empresarial moçambicano. A autora defende que as RP vão muito além da simples comunicação, assumindo-se como uma função estratégica essencial para a construção de reputação, confiança e relações duradouras entre as organizações e os seus públicos.
Para Cláudia Manjate, as Relações Públicas constituem uma ponte estratégica entre as empresas e as partes interessadas, cujo sucesso depende da forma como essa ligação é construída, nutrida e mantida ao longo do tempo. Apesar da sua relevância, a autora alerta que, em Moçambique, as RP continuam a ser subvalorizadas e frequentemente reduzidas a funções operacionais ou emergenciais, como o envio de comunicados de imprensa ou a gestão reactiva de crises.
Com base em cerca de duas décadas de experiência profissional, Cláudia Manjate identifica um dos principais desafios do sector: a visão reducionista das RP, que leva à falsa ideia de que a função pode ser exercida sem qualificações específicas. Esta percepção fragiliza a profissão e limita o seu verdadeiro impacto estratégico dentro das organizações.
A autora sublinha que o verdadeiro objecto das Relações Públicas é a reputação, sustentada por dois pilares fundamentais: proactividade e confiança. Para explicar este conceito, apresenta o modelo PRC – Proactividade, Reputação e Confiança, que sintetiza a essência e o mecanismo de actuação das RP. Através da gestão das percepções dos públicos, clientes, colaboradores, media, governo, comunidades e parceiros, as RP contribuem para humanizar as organizações, fortalecer relações e posicionar as empresas como actores responsáveis e credíveis.
Cláudia Manjate destaca ainda que as RP desempenham um papel crucial na antecipação de cenários, análise de tendências e prevenção de crises. A proactividade surge como o grande diferencial estratégico da profissão, permitindo às organizações agir antes que os problemas se instalem, em vez de reagirem tardiamente aos acontecimentos.
No contexto moçambicano, a autora identifica erros recorrentes que limitam o potencial das RP, como a sua associação exclusiva à gestão de crises, a confusão com publicidade, a negligência da comunicação interna e a ausência de planeamento estratégico. Para Cláudia Manjate, ignorar o público interno é um erro grave, uma vez que os colaboradores são os principais embaixadores da reputação organizacional.
O artigo também enfatiza o papel das RP como complemento comunicacional, apoiando áreas como vendas, marketing, publicidade não paga, eventos, lançamentos e comunicação interna. No entanto, a autora reforça que o futuro das Relações Públicas em Moçambique dependerá, sobretudo, da postura dos próprios profissionais.
Cláudia Manjate defende que os profissionais de RP devem assumir uma posição mais activa, estruturando a função como um programa estratégico de longo prazo e não como uma intervenção pontual. A mensuração de resultados, incluindo o retorno sobre o investimento (ROI), surge como um passo fundamental para demonstrar o valor tangível das RP na prevenção de crises, geração de oportunidades e fortalecimento da reputação empresarial.
Ao concluir, a autora lança um apelo à união da classe, à capacitação contínua e à criação de mecanismos éticos e profissionais que elevem o prestígio das Relações Públicas em Moçambique. Para Manjate, a profissão é desafiada a aplicar o seu próprio princípio fundamental: construir a sua reputação, gerar confiança e actuar com proactividade num mercado em constante transformação.